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A política tradicional e o desafio da reconexão

O Brasil viveu na segunda semana de maio mais um período de turbulência no cenário político com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do governo. A insatisfação popular é generalizada, e o presidente interino, Michel Temer, começa a conduzir o País em um cenário de total descrédito da população com a classe política. São pouquíssimos os brasileiros que se sentem representados pelos atuais políticos

 


VALE LEMBRAR QUE O BRASIL
 sofre o segundo processo de impeachment em menos de 30 anos. Porém, temos hoje um cenário bem diferente de 1992, quando o ex-presidente Itamar Franco assumiu o governo logo após o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Naquele período também havia um descrédito da população em relação ao governo Collor, mas esse descontentamento não atingia, necessariamente, a classe política como um todo. Naquela época, inclusive, as manifestações em favor do impeachment eram comandadas, em grande parte, por lideranças políticas de vários partidos, que de alguma forma representavam uma parcela do Congresso Nacional. Diferentemente de hoje, em 1992 não havia crise de liderança, e muito menos um governo impedido que contava com militância orgânica e apoio social.

O Brasil mudou. O cenário é outro. Temos hoje um Brasil bem distante daquele do início dos anos 90. E o que levou a presidenta Dilma ao impeachment foi, juntamente com a crise econômica, uma insatisfação geral dos brasileiros com a classe política. Essa insatisfação, quase generalizada, chegou ao ponto em que boa parte dos brasileiros, com números detectados por pesquisas, pede mudanças em relação à classe política atual.

Apesar de o presidente interino partir de uma base parlamentar mais forte e mais consolidada do que era a base de sustentação do governo Dilma, do ponto de vista da opinião pública as perguntas que ficam são: quais reformas política e econômica necessariamente serão feitas? Será uma reforma econômica que vai falar apenas dos temas macroeconômicos ou vai falar da economia do cotidiano, aquela que realmente impacta a vida de milhares de brasileiros, que anseiam por respostas que atendam às suas demandas e expectativas?

A dona Maria e o seu José querem saber como irão fazer para pagar as contas no fim do mês. Aquele chefe de família que perdeu o emprego por causa da recessão econômica quer saber que política será colocada em prática contra o desemprego. A opinião pública brasileira quer saber para onde o País vai e se existe uma luz no fim do túnel. Como existe um grande descolamento com a classe política, a população clama por ser ouvida. A maioria dos brasileiros não enxerga alternativas nos políticos atuais e acredita que eles brigam por poder, não para melhorar o País. Não é à toa que 92% dos brasileiros acham que todo político é ladrão. Nove em cada dez acreditam que vivemos uma crise de liderança, e a porcentagem de brasileiros que defendem a renúncia de Temer é muito próxima da que deseja a saída de Dilma.

Diante desse cenário, o governo do presidente interino, Michel Temer, tem um prazo muito curto para mostrar a que veio. Se esse governo conseguir mostrar um propósito real para o ajuste econômico, será um governo que vai ter sucesso. Por outro lado, se isso não acontecer e o governo mostrar que quem pagará a conta da crise são as pessoas que mais precisam, terá muita dificuldade para chegar até o final.
Da direita à esquerda, políticos precisam se reconectar com a população, chamar os brasileiros para uma reconciliação, mostrar os avanços conquistados ao longo dos últimos anos, principalmente do ponto de vista das políticas de inclusão social e criar medidas efetivas para resolver as demandas de milhares de brasileiros. A vontade é de mudança, e os brasileiros anseiam por um Estado presente e vigoroso.

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Fonte: Data popular

*Renato Meirelles é presidente do Instituto Data Popular

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