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Ferreira Gullar, o poeta e o amigo

20 jul , 2017  

Leia artigo do ministro da Cultura, Roberto Freire, veiculado no Blog do Noblat no dia 14 de dezembro de 2016:
Morto no último dia 4 de dezembro, aos 86 anos, Ferreira Gullar deixa um sentimento de perda imenso na cultura brasileira. O escritor, poeta, ensaísta, tradutor, crítico de arte, teatrólogo e militante político era também um dos intelectuais mais ativos e críticos do nosso tempo, vanguardista na essência e imensamente talentoso. O Brasil perdeu uma de suas figuras mais brilhantes, e eu tive de dizer adeus a um grande amigo, companheiro de tantas jornadas e testemunha dos principais acontecimentos da história política do país desde sempre e, em especial, como militante do PCB.
Nascido em 10 de setembro de 1930 em São Luís, José Ribamar Ferreira fez parte de um movimento literário que lançou o pós-modernismo no Maranhão. Já vivendo no Rio de Janeiro nos anos 1950, Gullar se tornou um dos expoentes da poesia concreta, corrente de caráter inovador e experimental, por meio da qual o texto poético não era necessariamente escrito nas páginas de um livro, mas em qualquer lugar onde as palavras se encaixassem. Ferreira Gullar, por exemplo, escrevia seus poemas e os gravava em placas de madeira.
Inquieto e questionador, rompeu com a poesia concreta no fim dos anos 1950 e criou, ao lado de artistas como Hélio Oiticica e Lígia Clark, o neoconcretismo – que valorizava a expressão e a subjetividade, se opondo ao concretismo ortodoxo. Mais adiante, em meados da década de 1960, também se afastou desse grupo e, envolvido com os Centros Populares de Cultura – movimento liderado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) que mobilizou jovens intelectuais brasileiros –, passou a adotar uma poesia mais engajada.
Foi justamente nesse período que Ferreira Gullar se envolveu mais diretamente com a política, militando no velho Partidão e se transformando em um dos grandes ícones da luta pela redemocratização do país. Exilado na União Soviética, na Argentina e no Chile nos anos 1970, em plena ditadura militar brasileira, o poeta escreveu em Buenos Aires aquela que talvez seja a sua obra mais célebre e emblemática, “Poema Sujo”. Os versos foram publicados em livro em 1976, depois de serem divulgados por ninguém menos que Vinícius de Moraes – que gravou Gullar os recitando em uma de suas visitas ao amigo exilado e promoveu audições da fita-cassete em sua casa. Até hoje, o texto é apontado como uma obra-prima da língua portuguesa.
Os anos de Ferreira Gullar no exílio estão resumidos em outra obra magnífica, “Rabo de Foguete”. Trata-se de um relato autobiográfico lançado em 1998 que detalha a vida clandestina do poeta longe de seu país, além de um registro precioso sobre um dos períodos mais sombrios da história brasileira e latino-americana.
Pessoalmente, guardo inúmeras recordações do amigo e do intelectual Ferreira Gullar. Entre elas, estão as “Comuníades”, memoráveis encontros de comunistas na casa de Vera e Zelito Viana, no Rio de Janeiro, ao lado de muitos companheiros que também já se foram, como Armênio Guedes, Leandro Konder, Luiz Mario Gazzaneo, Carlos Nelson Coutinho e tantos outros camaradas do Partidão. Discutíamos sobre política, cultura, arte, o Brasil e o mundo. Dividíamos nossos sonhos e esperanças.
Corajoso e independente, Ferreira Gullar sempre teve espírito contestador, disposição para se reinventar e capacidade de fazer autocrítica e reflexão. Como artista, intelectual e cidadão, foi combativo até o último momento e não se omitiu diante do descalabro político e moral dos governos que tão mal fizeram ao Brasil nos últimos 13 anos. Perdemos um grande brasileiro. Perdi um grande amigo.
“Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.”
(“Aprendizado”, poema de Ferreira Gullar publicado no livro Barulhos, de 1987)
Roberto Freire
Ministro da Cultura

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A importância da lei de incentivo à cultura

20 jul , 2017  

O desmantelo praticado pelo governo anterior em diversas áreas, com uma sucessão de escândalos de corrupção e desvios, só fez agravar na sociedade brasileira o sentimento de descrença generalizada em relação à administração dos recursos públicos. Como resultado de tamanho descrédito, até mesmo algumas boas instituições existentes há muito tempo passaram a ser duramente criticadas por parcela significativa da opinião pública. É o caso, por exemplo, da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, a Lei Rouanet, uma importante iniciativa para fomentar a atividade cultural no país.
Ao contrário do que muitos brasileiros imaginam, a lei de incentivo à cultura é um avanço que deve ser preservado. É evidente que vários ajustes são necessários para que se corrijam distorções, mas a legislação tem uma importância inquestionável. Nesse curto período à frente do Ministério da Cultura, constatamos que os mecanismos de fiscalização e controle em relação aos projetos viabilizados pela lei estão desatualizados e precisam ser aperfeiçoados com urgência. É exatamente a partir de tal deficiência que surgem os maiores problemas envolvendo irregularidades ou desvios de finalidade dos mais variados tipos. Entretanto, é possível corrigir os rumos sem acabar com a Lei Rouanet, o que só prejudicaria a cultura brasileira.
Há uma série de críticas à legislação, muitas delas pertinentes, e o ministério está trabalhando para levar a cabo as modificações necessárias. Entre as medidas que vêm sendo estudadas, está a definição de tetos de repasses para cada segmento cultural (artes cênicas, música erudita ou instrumental, exposições de artes visuais, produção cinematográfica, espetáculos circenses etc.), fixando novos critérios para a concessão do incentivo fiscal, de modo que sejam evitadas distorções inexplicáveis à luz da razão e do bom senso.
Há algumas semanas, o Ministério da Cultura divulgou uma lista com 96 projetos realizados via Lei Rouanet que tiveram suas prestações de contas aprovadas e outros 31 reprovados. Esse último grupo terá de devolver aos cofres públicos, por meio de um depósito na conta do Fundo Nacional da Cultura (FNC), mais de R$ 4,7 milhões, o que corresponde ao valor total reprovado acrescido da atualização pelos índices da caderneta de poupança. Entre os motivos para a reprovação, estão o descumprimento do objeto ou do objetivo do projeto, omissão na prestação de contas, falha na análise financeira, entre outros.
Recentemente, participei da cerimônia de anúncio do início das obras de reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, um dos mais visitados do Brasil, praticamente destruído após ser atingido por um incêndio em dezembro de 2015. Assim como o seu surgimento, em 2006, a reconstrução completa do museu também contará com recursos obtidos por meio da Lei Rouanet – em novembro deste ano, o MinC autorizou a captação de R$ 22 milhões para o projeto. Além disso, a reconstrução será viabilizada graças a uma parceria entre o governo de São Paulo e um grupo de empresas, a chamada Aliança Solidária, ao custo estimado de R$ 65 milhões. Eis um exemplo lapidar da importância do trabalho conjunto entre a esfera pública e o setor privado, com papel de destaque exercido pela lei de incentivo à cultura.
Sancionada durante o governo do então presidente Collor, a Lei Rouanet é uma conquista da cultura brasileira e um instrumento que pode e deve ser utilizado pela população em seu próprio benefício. É importante lembrar que o incentivo fiscal à cultura é praticado no país desde 1986, quando o presidente Sarney sancionou a Lei 7.505. O texto aprovado há exatos 30 anos, reformulado após uma série de mudanças, é resultado do belo trabalho realizado pelo economista Celso Furtado em seu período como ministro da Cultura.
Com um trabalho bem feito, ampliando os mecanismos de fiscalização e diminuindo a margem para irregularidades, a Lei Rouanet tem tudo para se aproximar ainda mais do seu intuito original e voltar a ser respeitada e apoiada pela grande maioria dos brasileiros. É preciso facilitar o acesso da população aos bens culturais, descentralizar os projetos, levá-los a todas as regiões do país e impedir o mau uso do dinheiro público. A cultura e o país agradecem.

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JBS COMPRA TERRAS NA AUSTRÁLIA

19 jun , 2017  

20 grupos estrangeiros têm 3 milhões de ha de terras no Brasil

IN DE OLHO NO AGRONEGÓCIO, EM DESTAQUE, EMPRESAS BRASILEIRAS, EMPRESAS ESTRANGEIRAS, ESPECIAIS, LATIFUNDIÁRIOS, PRINCIPAL, ÚLTIMAS

Entrada da JBS na Austrália e de várias transnacionais no território brasileiro estão em relatório da Grain sobre mega aquisições globais

Por Alceu Luís Castilho

Pelo mundo, mais de 30 milhões de hectares foram adquiridos por apenas 490 proprietários. Os dados da organização Grain referem-se ao ano de 2016 e contam – ainda que de maneira incompleta – a história recente do land grabbing, um fenômeno mundial que pode ser definido como a mega aquisição de terras por investidores estrangeiros. Grandes corporações, fundos. A Grain avisa: essa tendência continua crescendo.

E o Brasil é um dos principais protagonistas. Principalmente como território dessas aquisições. Mas já aparece também como comprador. O relatório da Grain inclui entre os destaques pelo mundo a expansão do grupo JBS na Austrália. A empresa já tem cinco estabelecimentos com 10 mil hectares, com produção anual de 330 mil cabeças de gado. Somente a JBS australiana exporta para mais de 80 países – o que ilustra bem a escala global do land grabbing.

Marcas do grupo JBS na Austrália

ÁFRICA E AMÉRICA DO SUL

O agronegócio brasileiro também está presente na Colômbia, com o grupo Mónica Semillas, que leva o nome da empresária matogrossense Mônica Marchett – filha do produtor de soja Sérgio João Marchett, um dos acionistas principais da empresa. A Grain identificou 8.889 hectares de soja e milho da Mónica na Colômbia. Mas a corporação possui ainda 70 mil hectares na Bolívia e terras no Paraguai. Segundo a Grain, a empresa já foi condenada a pagar 2 milhões de pesos por subsídios indevidos, que violam a lei de terras colombiana.

O Paraguai aparece duas vezes com brasileiros no relatório, pelas atividades do Grupo Favero e de Wilmar dos Santos. Ambos sojeiros. O primeiro tem 33.719 hectares. Santos teria 1.000 hectares – o critério da Grain para grandes propriedades é o piso de 500 hectares. O Senado paraguaio expropriou 11 mil hectares de Tranquilo Favero para um parque. Wilmar dos Santos é definido no relatório como um dos muitos brasileiros “colonialistas”, produtores de soja transgênica. Os agrotóxicos de Wilmar dos Santos estariam envenenando animais e cursos d’água utilizados por camponeses.

A Asperbras representa os investimentos brasileiros no Congo, com propriedades que somam 50 mil hectares. O empresário Francisco Colnaghi tem um leque amplo de culturas no país: cana de açúcar, pecuária, soja e milho. O total de área plantada já teria ultrapassado 100 mil hectares. Ainda na África, o Brazil Agrobusiness Group – de Frademir Saccol – aparece no relatório com 8 mil hectares de arroz em Gana. Seiscentos camponeses despejados foram à Justiça contra a empresa.

No Sudão, o Pinesso Group – da família sulmatogrossense Pinesso – possui 12 mil hectares para produção de grãos, em parceria com o governo local. E mira o Moçambique. (No Brasil, em 2015, o grupo tinha 110 mil hectares no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul e no Piauí e estava em recuperação judicial por uma dívida de R$ 571 milhões.)

DE OLHO NO BRASIL

Mas o Brasil aparece bem mais vezes no relatório como alvo dos investidores. E com quantidades de terra – adquiridas ou geridas por estrangeiros – ainda mais fabulosas. Vejamos:

1) A BrasilAgro, com capital da argentina Cresud (que já foi um investimento de George Soros e também tem aporte chinês), possui 166 mil hectares para cana, grãos e pecuária.

2) O fundo canadense Brookfield Asset Management possui 97.127 hectares para produção de soja e cana de açúcar em terras brasileiras. E está de olho na aquisição de mais usinas.

3) A empresa Universo Verde Agronegócios também atende pelo nome de Chongqing Grain Group, a maior empresa estatal chinesa do setor de grãos. No Brasil, segundo o relatório da Grain (a ONG, não a empresa), o grupo possui 100 mil hectares, mais da metade deles “como se fossem de brasileiros”. O MST ocupou em 2015 uma área de 75o hectares em Porto Alegre, definindo-a como improdutiva.

4) Outra empresa estatal chinesa, a Cofco, aparece com 145 mil hectares de cana no relatório. Com direito a capital de Singapura, do fundo de private equity Hopu Investment Management e do Banco Mundial.

5) A francesa Louis Dreyfus Commodities comparece ao relatório sobre land grabbing com nada menos que 430 mil hectares no Brasil. Para cana, arroz, laranjas e laticínios. E ainda opera mais 500 mil hectares, sem direito de propriedade. O grupo controla 10% do mercado mundial de matérias primas agrícolas, informa a Grain. O grupo está em 12 estados brasileiros.

6) A Índia também já se faz presente no Brasil. A Shree Renuka Sugars – aqui, Renuka do Brasil – possui 139 mil hectares de cana de açúcar, a partir da compra, nos últimos anos, de usinas brasileiras. O grupo Equipav possui 49,7% das ações.

7) A japonesa Mitsubishi atua em terras brasileiras pela Agrex do Brasil. São 70 mil hectares de soja nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Goiás. O brasileiro Paulo Fachin tem 20% de participação no grupo.

8) Mais duas empresas japonesas estão no relatório da Grain. A Sojitz Corporation (aqui, Contagalo) produz 150 mil hectares de soja, milho e trigo. Os planos são de triplicar a produção e adquirir mais 200 mil hectares.

9) A outra empresa japonesa é a Mitsui & Co, com 87 mil hectares de grãos na Bahia, no Maranhão e em Minas Gerais. A face brasileira do grupo é a SLC-MIT Empreendimentos Agrícolas.

10) A Holanda entra na lista com o Grupo Iowa, na matriz BXR Group. São 12 mil hectares de grãos na Bahia. O BXR pertence ao checo Zdenek Bakala (estamos falando de globalização, afinal), em parceria com o Credit Suisse.

11) A Nova Zelândia aparece com discretos 850 hectares em Goiás. Maior exportadora mundial de produtos lácteos, ela abastece com essa atividade a Dairy Partners America, parceria com a suíça Nestlé.

12) A antiga metrópole também faz parte dessa nova colonização: Portugal está na lista brasileira de land grabbing com a Nutre, ou Prio Foods no Brasil, com 29.528 hectares. Um terço dessa área fica no Maranhão, onde a empresa pretende adquirir mais 14 mil hectares.

13) Outro país marcado pelo histórico de metrópole, o Reino Unido, compõe esse cenário com o fundo de investimentos Altima Partners (ou, regionalmente, El Tejar), com 130 mil hectares para pecuária e grãos, principalmente no Mato Grosso.

14) E, falando em investidores estrangeiros, que tal, novamente, o nome de George Soros? O estadunidense – que ilustra a foto principal desta reportagem – controla 127 mil hectares no Brasil, segundo a Grain, por meio da Adecoagro, em parceria com um fundo de pensão holandês. O leque de culturas é variado: café, cana, grãos, pecuária.

15) Os seis últimos investidores da lista são estadunidenses. Comecemos com o Archer Daniels Midland e seus 12 mi hectares para produção de óleo de palma no Pará.

16) Um dos nomes mais conhecidos da lista, a multinacional Bunge administra 230 mil hectares de cana de açúcar no Brasil, por meio de parcerias, e ainda tem 10 mil hectares da usina (o nome não deixa de conter uma ironia) Guarani.

17) E ainda temos 25 mil hectares com o Galtere, um fundo de investimentos criado por ex-vendedor da Cargill, para produção de arroz e soja. O grupo tem na mira mais 22 mil hectares.

18) A cana de açúcar volta a aparecer no relatório com 35 mil hectares da própria Cargill. A Proterra Investiment Partners investiu, em 2015, US$ 175 milhões em usinas no Brasil.

19) O Teachers Insurance and Annuity Association (TIAA), fundo de pensão de professores, administra uma das fatias mais representativas entre os investidores estrangeiros: 424 mil hectares. Em parceria com a brasileira Cosan. Leia mais aqui: “Fundo americano de professores passa a controlar 270 mil hectares no Brasil“.

20) Finalmente, e reiterando que esta lista trata apenas dos investimentos mencionados pela Grain no relatório de 2016, a YBY Agro controla 320 mil hectares de terras no Brasil. A empresa foi criada por dois ex-executivos brasileiros do Bank of America. Mas 45% da companhia pertencem a fundos privados dos Estados Unidos. Outros 35% ficam com o grupo brasileiro Francioni Brothers y Golin. As terras ficam no cerrado.

Total de terras de brasileiros no mundo, conforme a lista parcial da Grain (Oceania, África e América do Sul): 124 mil hectares.

Total de terras controladas no Brasil pelos 20 grupos estrangeiros mencionados: 2,74 milhões de hectares. Um Haiti. Ou metade da Croácia.

Média por grupo: 137 mil hectares.

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VERBAS INDENIZATÓRIAS

9 fev , 2017  

VEREADORES EMBOLSARAM AS VERBAS INDENIZATÓRIAS

Imagem Google

Não se sabe o porquê do espanto. Só no Norte de Minas? Não! No Brasil inteiro. Desde que criaram as tais verbas indenizatórias, há alguns anos, em quase todos os municípios brasileiros há este tipo de fraude.

Foi investigado só agora, por que estava atingindo a Receita Estadual por sonegação fiscal, do contrário estariam lá a cada mês pegando o seu dinheirinho.

Desde que as Câmaras começaram a criar as tais verbas indenizatórias, tomando de exemplo as Assembleias Legislativas, que de tudo foram aparecendo: Nota Fria, Nota Quente, Nota Branca, Notinha, Notão, Gasolina, Supermercado, Mercearia, Farmácia, Cultura (nada!).

Contabilizado a quantidade de gasolina de um mês daria para os carros das Câmaras rodarem um ano, já fizeram estas contas. Num município, que não vou dizer o nome, as notas estavam tão altas que dava para ir a lua e voltar umas três vezes.

Como os Senhores Vereadores e Contadores estavam viajando, rodavam dia e noite, noite e dia. Era nota de tudo, menos bebidas, que era proibido, mas mesmo assim enchiam o carrinho de cervejas, os mais puros vinhos do Chile e até cachaças de Salinas, produzidas ali mesmo no Norte de Minas, mas na notas saia outra coisa, tudo bem secretinho, para ninguém descobrir a fraude.

Está tudo esclarecido em vários processos, que acabam dando em nada, eles fingem que devolvem e fica por isso mesmo e continuam dilapidando o erário público, todos sabem disso.

Sem contar os Executivos que desviam até da merenda escolar, da saúde, educação, em tudo. Está nos jornais, todo dia.

O povo doente, sem remédios e Prefeituras enterrando caixas cheias de medicamentos vencidos. Por quê? Compras em excesso em licitações fraudulentas.

Eles conseguem fazer de tudo para entregar  aos seus capachos os resultados de uma licitação fraudada, marcada, sei lá mais o que. Levam uns trocados (também os Servidores) e fica por isso mesmo.

Estava indo tudo bem até que apareceu a “Operação Caximanha” (que nome mais estranho)  e alguns Vereadores de Bocaiúva, não percebendo a “manha”, naquela manhã, foram todos pegos de surpresa.

O próprio nome da operação pode ter diversos significados: 1) Expressão “caxa” designa ou situação muito favorável ou benéfica; satisfação;  já “Manha” 1. Macete, técnica – 2. Malícia, esperteza e outro resultado que nem vou dizer, é melhor vocês mesmos verificarem no dicionário. “Caximanha” então deve ser Caixinha da Esperteza, mas neste caso a Polícia foi mais esperta.

Como disse no início, não se assustem desde que foram criadas as tais Verbas Indenizatórias que existe este tipo de coisa e não é só na área municipal, também na área estadual.

A nível estadual os Deputados usam mais a verba indenizatória para gastos com serviços de divulgação, serviços de gráfica, alimentação parlamentar (seja lá o que for isso), combustíveis, alugueis e principalmente consultorias, pesquisas e estudos técnicos. Dá mais dinheiro, são caras. Gostaria de ser um Consultor de Pesquisas e Estudos Técnicos, se fosse não estaria aqui ralando para escrever estas linhas.

A Assembleia (de Goiás) também não exige esses documentos dos parlamentares e efetua o pagamento da verba mediante uma simples folha de papel, onde se relacionam essas despesas de modo genérico.

“A verba indenizatória é considerada unanimemente, no Brasil, como uma excrescência, dentre as muitas que se multiplicam no interior dos Poderes Legislativos federal, estadual e municipal “, já dizia  Welliton Carlos, no Diário da Manhã, em 24;03;2013.

Uma tonelada de “caximanhas” para todos.

Amanhã o bicho vai pegar, vamos falar sobre as Fraudes nas ONGs. Aguardem. (Antes de escrever o artigo já estou recebendo ameaças). Podem ficar tranquilos, não vou citar nomes, só os municípios. Está bem, nem vou citar os municípios…

Manoel Amaral

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COMO AUMENTAR RECEITA MUNICIPAL

6 fev , 2017  

SALVADOR

Projetos prometem aumentar arrecadação municipal sem elevar impostos

Dois projetos de lei foram apresentados pela Prefeitura a 25 vereadores e à imprensa

Editoria Notícias & Empregos

Na manhã desta quinta-feira (14), dois projetos de lei com o objetivo de aumentar as receitas municipais, ampliando a capacidade de investimento da Prefeitura, sem a criação de novos tributos ou da ampliação das alíquotas praticadas atualmente, foram apresentados pelo prefeito ACM Neto e pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo a 25 vereadores e à imprensa, no Palácio Thomé de Souza.

“As mudanças que estamos propondo vão dar autosuficiência econômica e financeira a Salvador. São medidas importantíssimas para o futuro da cidade”, afirmou o prefeito ACM Neto. As medidas devem diminuir a carga tributária individual e desburocratizar o processo de quitação ou cobrança das taxas e impostos.

IPTU
Uma das propostas é o recadastramento de todos os imóveis da cidade e a extinção do carnê do IPTU, que deverá ser substituído por boleto mensal, entregue em endereço e com data de vencimento escolhidos pelo contribuinte. O recadastramento nos prazos definidos deve garantir até 10% de desconto por até dois anos consecutivos.

Outra proposta propõe o pagamento do Imposto sobre a Transmissão Intervivos (ITIV) através somente de um aplicativo disponibilizado no site da secretaria, tendo como base de cálculo o Valor Venal de Referência, em substituição ao valor utilizado para o pagamento do IPTU. O próprio aplicativo deve realizar o cálculo do montante devido e a emissão do documento de arrecadação.

Nota Salvador

A implantação do programa Nota Salvador é um dos destaques do primeiro projeto. A proposta é incentivar o contribuinte a exigir a emissão da nota fiscal eletrônica (NFS-e) na contratação de serviços.

“Com uma cobrança mais efetiva da NFS-e por parte do contribuinte, a Prefeitura espera promover o aumento da arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), principal tributo municipal”, explicou o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, que planejava entregar formalmente os dois projetos na Câmara de Vereadores às 17h30 desta quinta-feira. Ao exigir a NFS-e, o contribuinte obterá créditos que podem ser resgatados em conta corrente ou usados para o pagamento de até 100% do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), além de concorrer a prêmios mensais em dinheiro.

Ainda em relação ao ISS, a Secretaria da Fazenda deve criar mecanismos para aumentar a fiscalização e melhorar a arrecadação em diversos segmentos, como o da construção civil, planos de saúde, estacionamentos, empresas de eventos e publicidade. Está prevista, por exemplo, a inversão da responsabilidade pelo pagamento do imposto que passa a ser do contratante dos serviços quando o prestador não emitir a Nota Fiscal Eletrônica de Serviços. A Prefeitura também deve criar um cadastro de empresas de outras cidades e promover a inversão da responsabilidade de recolhimento, quando o prestador estiver localizado em município e não tiver seu cadastro regularizado na Secretaria da Fazenda, para combater a guerra fiscal.

Devedores
A proposta para os devedores do município é a possibilidade de regularização da sua situação através do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), por meio do qual será possível o parcelamento dos débitos em até 120 meses, com redução das multas e juros. A criação do Cadastro Municipal de Inadimplentes (Cadin) é considerada a principal frente de combate à inadimplência. A inscrição no cadastro poderá implicar em restrições, como o bloqueio do pagamento de fatura para fornecedores ou prestadores de serviços ao município.

Outras alterações deverão alcançar o contencioso administrativo, que deverá ser totalmente reestruturado com o intuito de tornar mais rápido o trâmite de processos fiscais. Também está prevista a implantação do Domicílio Eletrônico do Cidadão Soteropolitano (DEC), no qual será possível a troca de comunicações entre o município e o cidadão de forma rápida e segura.

Serão concedidas também a remissão de débitos inferiores a R$400 e a prorrogação dos benefícios fiscais da área do Comércio e Península Itapagipana até o dia 31 de dezembro de 2016. Essas duas últimas medidas, juntamente com o PPI, serão objeto de projeto de lei específico.

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D. MARISA LETÍCIA, ESPOSA DE LULA, FALECEU

2 fev , 2017  

Jornalista usa twitter e diz que esposa de Lula faleceu

O jornalista Severino Motta informou em seu twitter que a ex-primeira dama faleceu durante esta madrugada

Segundo o jornalista, o próprio Lula estaria avisando políticos e amigos próximos sobre o falecimento de sua esposa.

Oficialmente, a ex-primeira dama segue internada em coma induzido, porém sem atividade elétrica cerebral e com fluxo sanguíneo reduzido.

Tanto o médico da família quanto o hospital Sírio Libanês não confirmaram essa informação.

Abaixo a postagem de Severino:


Sônia Abrão confirma morte cerebral da ex-primeira dama

A jornalista usou sua conta no Instragram para postar a informação da morte cerebral de dona Marisa

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Trump promete renunciar a salário de US$ 400 mil por ano

14 nov , 2016  

trump
PUBLICADO EM 14/11/16 – 17h24

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu renunciar ao salário de US$ 400 mil por ano pago ao chefe da Casa Branca.

Com uma fortuna estimada em cerca de US$ 4 bilhões, segundo a revista Forbes, o republicano disse em entrevista ao programa 60 Minutes, da emissora CBS, que receberá apenas US$ 1 por ano.

“Acho que, por lei, tenho que ganhar pelo menos US$ 1 por ano, então pegarei US$ 1 por ano”, afirmou Trump, que alegava nem mesmo saber qual era o salário do presidente dos Estados Unidos. Ao ouvir da jornalista Lesley Stahl que os honorários são de US$ 400 mil anuais, rebateu: “Não receberei”.

O republicano assumirá a Casa Branca no próximo dia 20 de janeiro, após ter derrotado a democrata Hillary Clinton na eleição presidencial de 8 de novembro. Segundo a Agência Ansa, ontem (13), Trump anunciou os primeiros integrantes de sua equipe. Reince Priebus, presidente do Partido Republicano e expoente do establishment que o magnata tanto criticou, será chefe de gabinete.

Já Stephen Bannon, que teve papel de destaque na campanha de Trump, será seu principal estrategista e conselheiro sênior. Ex-diretor do banco Goldman Sachs e presidente do site ultraconservador Breitbart News, Bannon é ligado à ala mais radical do Partido Republicano e já criticou duramente a cúpula da legenda.

 

http://www.otempo.com.br/trump-promete-renunciar-a-sal%C3%A1rio-de-us-400-mil-por-ano-1.1399249

 

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Brasileiros que podem ser expulsos são 730 mil

11 nov , 2016  

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Apreensão. A Bolsa de Valores de SP chegou a operar com queda de 3% nessa quarta-feira (9), após a resultado das eleições nos EUA. Mas acabou seguindo a recuperação das Bolsas americanas e reduziu a queda para 1,4%
PUBLICADO EM 10/11/16 – 03h00

A confirmação da eleição do candidato republicano Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos pode acabar com o sonho de milhares de brasileiros que vivem nos Estados Unidos. De acordo com o Itamaraty, mais de 1,3 milhão moram no país, e, conforme estimativas do governo brasileiro, pelo menos 730 mil estão sem a documentação apropriada, segundo dados divulgados pela BBC em 2015.

A apreensão e a insegurança manifestadas pelos imigrantes se devem às polêmicas declarações feitas pelo empresário durante sua campanha eleitoral. Em uma delas, Trump ameaçou deportar 11 milhões de imigrantes ilegais. “Durante sua campanha, ele mudou de posição muitas vezes em relação à imigração, chegando a falar em expulsar os muçulmanos, mas, depois, voltou atrás. A imigração é a maior dúvida em relação a esse governo, mas, pela tendência do discurso, podemos esperar um endurecimento nas fronteiras”, analisa Jorge Lasmar, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

Tanto o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quanto a candidata Hillary Clinton apoiavam reformas no sistema de imigração norte-americano, que dariam cidadania aos imigrantes ilegais. Projetos como esse, que já estavam em negociação entre os governos, têm grandes chances de serem “abandonados”, segundo o coordenador do curso de relações internacionais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Manuel Furriela.

“Um acordo que o país estava negociando buscava facilitar a emissão de vistos para brasileiros que quisessem ir para os EUA a negócios e também eliminar o visto de turismo”, disse ele. Trump sempre prometeu aumentar as restrições para a entrada de estrangeiros no país.

Comércio. Os risco de impactos negativos da “era Trump” no Brasil também passam pelo aspecto econômico e preocupam os especialistas. Historicamente, o Partido Republicano tinha como característica defender o livre comércio, em oposição às medidas protecionistas, mas, com o resultado do pleito norte-americano, o presidente eleito pode inverter essa lógica.

Segundo o professor de política internacional da PUC Minas Ricardo Ghizi, Trump foi eleito com a bandeira de resolver os problemas internos dos norte-americanos, e, pelo fato de a América do Sul e o Brasil não serem prioridades, as relações diplomáticas tendem a ser negligenciadas pelo novo presidente. “O que também pode dificultar a entrada de produtos estrangeiros nos EUA”, disse.

Impulsionar o comércio exterior vem sendo, segundo Furriela, uma das maiores apostas do atual governo brasileiro para a retomada do crescimento da economia. “Corremos o risco de os EUA se fecharem ao comércio internacional. Além disso, setores econômicos de investimento vão ficar receosos, principalmente no início da gestão Trump, até verificar qual será a realidade americana”, disse.

Os EUA são hoje o segundo país no ranking de exportações brasileiras, atrás da China. Com a adoção de medidas protecionistas, produtos agrícolas com exportações já consolidadas aos norte-americanos, como a laranja, poderão ter sua entrada restringida na América. “Se o governo for muito instável, a tendência é que o dólar caia e a exportação brasileira fique mais cara. Exportar vai acabar sendo mais difícil, podendo afetar diversos produtos”, analisa Jorge Lasmar. (com Loraynne Araújo)

Temor em Cuba

Cuba anunciou nessa quarta-feira (9) seu tradicional ensaio de defesa frente ao “inimigo”, coincidindo com a surpreendente vitória de Donald Trump. O “Exercício Estratégico Bastião 2016”, que mobiliza as tropas cubanas frente a uma hipotética invasão dos EUA, acontecerá de 16 a 18 de novembro. Especialistas transmitiram preocupação com um possível retrocesso na reaproximação dos EUA com Cuba, uma dos principais temores dos cubanos.

Apelo da ONU

Os participantes da conferência de Marrakesh, chocados com a vitória de Donald Trump, acreditam que o futuro presidente americano, apesar de ter negado a existência das mudanças climáticas, não minará o acordo mundial em busca de energias limpas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, felicitou Trump por sua vitória nas eleições dos EUA e fez um apelo pela continuação do engajamento do país no mundo.

Temer otimista

O presidente brasileiro, Michel Temer, afirmou que a vitória de Donald Trump não muda nada na relação bilateral com os EUA e se declarou convicto de que o presidente americano eleito levará em conta as “aspirações de todo o povo americano”. “Estou certo de que trabalharemos, juntos, para estreitar ainda mais os laços de amizade e cooperação que unem nossos povos”, disse Temer em carta enviada a Trump.

PELO MUNDO

As buscas no Google com a frase “moving to Canadá” (mudar para o Canadá) aumentaram 75% desde a noite de terça-feira, o que corrobora que alguns norte-americanos parecem mais decididos do que nunca a fugir para o país de Justin Trudeau, inclusive artistas de Hollywood.

A rapper Azealia Banks foi criticada por usuários das redes sociais, nessa quarta-feira (9), depois de ter feito uma série de posts em seu perfil do Facebook comemorando a vitória de Donald Trump e provocando os eleitores de Hillary Clinton, incluindo as também cantoras Hillary Clinton.

“Os EUA mereciam uma primeira presidente mulher muito melhor que a Hillary. Agora que ela perdeu pela segunda vez, vamos ver se ela vai voltar a pastar”, escreveu a rapper em uma mensagem cheia de xingamentos.

A votação e a apuração das urnas nos Estados Unidos movimentaram o Twitter em todo o mundo nos últimos dois dias. Entre a 0h dessa terça-feira (8) e as 6h da manhã dessa quarta-feira (9) pelo horário de Brasília, foram contabilizados 75 milhões de Tweets sobre o assunto.

 

Fonte:.http://www.otempo.com.br/capa/mundo/brasileiros-que-podem-ser-expulsos-s%C3%A3o-730-mil-1.1397442

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TRUMP e a era das incertezas

11 nov , 2016  

Donald Trump já era um famoso empresário do ramo imobiliário nos Estados Unidos quando estreou um programa de tevê em que demitia participantes até contratar o finalista. O jogo foi um sucesso e virou uma franquia, ganhando versões inclusive no Brasil. Doze anos depois, o excêntrico apresentador de 70 anos pediu aos americanos que o contratassem. Como presidente, ele traria de volta os anos de prosperidade. Faria a ?América grande de novo?. Os eleitores compraram essa ideia e o escolheram como o próximo presidente do país, contrariando os prognósticos que davam como certa a vitória da experiente, mas desgastada, Hillary Clinton.

Protestos começaram com estudantes de Oakland, Califórnia, e se espalharam por cidades como Nova York, Chicago e Seattle. Nos cartazes, um convite para lutar contra o racismo (que atinge negros, muçulmanos, imigrantes e outras minorias) que o presidente eleito tantas vezes propagou em comícios e entrevistas. Para eles, Trump representa mais um perigoso degrau na escalada do ódio, que tem se espalhado por diversos países.

O voto pela ruptura com a União Europeia expôs profundo ressentimento dos britânicos com os imigrantes e a globalização. A xenofobia travestida de nacionalismo impulsiona o apoio crescente a radicais de extrema-direta, como Marine Le Pen, na França, e a Alternativa para a Alemanha. No mercado financeiro, que apostava na vitória de Hillary Clinton, os principais índices caíram com a ansiedade gerada na madrugada da quarta-feira 9. O peso mexicano despencou mais de 7%.

No último ano e meio, Trump surpreendeu o público de diversas maneiras. Desde que foi eleito, surpreendeu de novo ao adotar um tom conciliador. ?Serei presidente para todos os americanos?, discursou em Nova York, momentos após a confirmação da vitória. ?Trabalhando juntos, vamos começar a tarefa urgente de reconstruir nossa nação e renovar o sonho americano.? Depois do encontro com Barack Obama na quinta-feira 10, o republicano afirmou que gostaria de ter o presidente como conselheiro, marcando o início de uma transição pacífica, em contraste com a campanha mais polarizadora da história recente do país. ?Devemos a Trump uma mente aberta e uma chance de governar?, disse Hillary, emocionada, ao reconhecer a derrota.

Ninguém sabe quem será o Trump presidente. Um estranho dentro de seu próprio partido, o empresário é o primeiro presidente desde Dwight Eisenhower (general que governou entre 1953 e 1961) a se eleger sem ter construído uma carreira política. Na corrida presidencial, mentiu sem pudor, inventou números, escondeu sua declaração de impostos, prometeu coisas que estarão fora de sua alçada de poder. Na Casa Branca, talvez ele seja um moderado ? não é religioso como os membros do Tea Party ?, talvez se iluda com a confiança que recebeu.

Tamanha inconstância e falta de clareza também se manifestam no projeto de política internacional que seu governo pode colocar em prática a partir de 20 de janeiro de 2017. ?Trump é um homem imprevisível?, diz Carol Graham, analista do Instituto Brookings. ?Torço para que o dia-a-dia no governo modere seu discurso e que as instituições funcionem para colocar limites no que ele pretende fazer.? Pouco detalhado, o plano de Trump tem como mote a máxima ?America First? (ou ?América Primeiro?, em tradução livre) e pode acabar com mais de sete décadas de protagonismo geopolítico americano pelo mundo. Em linhas gerais, o plano prevê a retirada, nem sempre gradual, dos EUA da arena internacional nas suas mais variadas frentes.

Com isso, o país que era visto como uma força de estabilidade passa a ser poço de instabilidade. Sob Trump, os EUA podem encerrar mais de 20 anos de prosperidade econômica de seu maior aliado na América Latina: o México. Para além do muro, que nos moldes propostos pelo republicano seria impossível de construir, há perspectiva de revisão ou invalidação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, um dos grandes eixos de diálogo entre os dois países. ?Uma relação que era excelente passará a ser muito difícil?, diz Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington de 2004 a 2006 e membro do conselho do Centro Brasileiro de Relações Internacionais. Em campanha, Trump chegou a dizer que pretendia deportar dois milhões de criminosos mexicanos ? um número que ninguém sabe, ao certo, de onde veio.

Em linha com a agenda de rupturas, Trump também anunciou que pretende exigir que os 28 aliados que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma das mais bem sucedidas alianças militares da história, paguem pela proteção que recebem dos EUA ? isso também serve para o Japão, aliado histórico que abriga mais de 20 bases americanas. O temor é de que, com o abandono dos americanos, a China amplie sua área de influência e a Rússia ganhe força no Leste Europeu, anexando nações como Estônia, Letônia e Lituânia, como já aconteceu com a Crimeia e partes da Ucrânia. ?O que Trump parece não entender é que proteger esses países não é um favor que o Pentágono faz?, afirma o embaixador Abdenur. ?Protegê-los é estratégico para o próprio país.?

Dos temas que mais preocupam os aliados tradicionais dos americanos, a boa relação com o presidente russo, Vladimir Putin, ocupa o topo. ?A Rússia foi um dos primeiros países a parabenizar Trump pela vitória?, lembra Graham, do Instituto Brookings. ?O presidente eleito admira Putin e Putin o admira.? A simpatia mútua pode refletir nos rumos da Guerra da Síria. Nos últimos anos, os EUA apoiaram os rebeldes contra o presidente Bashar al-Assad, amigo de Moscou. Agora, há espaço para Washington apoiar uma solução para o fim da guerra que inclua a manutenção de Assad no poder, hipótese que horroriza a União Europeia e as instituições de defesa dos direitos humanos. Permitir a expansão da influência russa no continente estaria em linha com a ideia de não intervenção que parece permear a política externa de Trump e que pode se manifestar até numa das grandes bandeiras do republicano: o combate ao grupo Estado Islâmico (EI). Como Trump tem mostrado pouca disposição para entrar em novos conflitos, o entendimento entre os especialistas é de que seus esforços para derrotar os terroristas se limitarão a dar continuidade à operação militar em Mossul, no Iraque, iniciada por Obama.
AUTÊNTICO

Trump subverteu a maneira de fazer campanha. Assumiu a figura de falastrão como sendo sua verdadeira personalidade, sem máscaras. No meio do caminho, falou demais, ofendeu de mexicanos a deficientes físicos.

Reduziu mulheres às suas características físicas. Contrariou assessores, suprimiu o politicamente correto. Desafiou a cúpula partidária, intimidou jornalistas e colocou em dúvida a credibilidade do sistema eleitoral americano. No último debate com Hillary Clinton, chegou a sugerir que não aceitaria o resultado das urnas se elas apontassem para a vitória da democrata. Investiu um terço do que Hillary colocou em anúncios de tevê, mesmo porque também arrecadou bem menos dinheiro. Ela levantou US$ 513 milhões, ele, US$ 255 milhões. Entre os poucos grupos que o apoiaram publicamente, o mais ruidoso foi a Associação Nacional de Rifles, principal lobista da venda e do porte de armas no país ? mas mais importante que tudo isso: Trump ganhou muita mídia espontânea. Até março, quando ainda disputava as primárias, recebeu o equivalente a US$ 2 bilhões em cobertura gratuita, nos cálculos do jornal The New York Times.

Com esse aparato, a imagem de autêntico colou. Apesar dos inúmeros comentários sexistas que fez nos últimos meses e durante toda a carreira ? sobretudo, no período em que foi dono de concursos de beleza ?, Trump obteve mais da metade dos votos das mulheres brancas, uma fatia do eleitorado que se mantém fiel ao Partido Republicano. Isso não dissipou, contudo, as desconfianças sobre o efeito que seu governo teria nos direitos das mulheres. ?A Presidência de Trump será de vastadora para nós?, disse à ISTOÉ a texana Gloria Feldt, presidente do ?Take the Lead? (?Assuma a liderança?), movimento que incentiva a participação feminina em posições de liderança. ?A começar pela Suprema Corte. Ele vai nomear ao menos um juiz, que deverá se opor aos direitos reprodutivos.? Segundo Gloria, isso inclui o aborto, mas também se traduz em resistência a ações afirmativas, como uma legislação que garanta a igualdade de remuneração entre homens e mulheres. ?O futuro dos direitos femininos não estará no nível federal, mas nos Estados?, afirma.

Os conservadores representados pelos republicanos, que agora também têm maioria na Câmara e no Senado, foram muito questionados ao longo do último ciclo eleitoral. A transformação demográfica pela qual os EUA passam, com o aumento da proporção das minorias na população, é considerada prejudicial ao partido, fortemente ligado aos homens brancos. ?Os democratas confiaram muito que haveria uma onda de votos latinos?, afirma Sherry Jeffe, professora da Universidade do Sul da Califórnia, uma das poucas instituições que previu a vitória de Trump. ?Mas isso vai demorar mais tempo para acontecer do que eles gostariam.? Sherry argumenta que os jovens latinos são cada vez mais significativos dentro do eleitorado americano e, em geral, eles se identificam mais com os democratas. O problema é o comparecimento às urnas: Hillary não era a candidata que os faria sair de casa para votar.

ERROS NAS PESQUISAS
Parte da surpresa com a vitória de Trump é resultado justamente dos erros das pesquisas de opinião. Elas falharam em detectar quem eram os potenciais eleitores, inclusive aqueles que se decidiram de última hora ? em alguns Estados, é possível se registrar no momento da votação. Considerando que Hillary esteve consistentemente na frente do empresário na maioria das sondagens semana após semana, os institutos projetaram que ela estaria na frente no dia 8 também. Alguns chegaram a colocar sua chance de vitória acima de 90%. Mas, nessas eleições, o número de indecisos foi extraordinariamente alto: acima de 10%, segundo o estatístico Drew Linzer. Em 2008 e 2012, esse índice ficou entre 4% e 6%.

Os institutos de pesquisa podem argumentar, contudo, que acertaram o resultado nacionalmente. Hillary, afinal, ganhou no voto popular, mas perdeu no colégio eleitoral, como o correligionário Al Gore, em 2000. Isso não significa que a maioria dos americanos prefira a candidata. Entre as distorções do sistema eleitoral do país, em alguns Estados não há nem campanha, porque eles são solidamente favoráveis a um dos dois grandes partidos. Os candidatos, então, preferem investir seus recursos em regiões onde de fato possam conseguir o apoio dos delegados. É assim na Califórnia, por exemplo. Se os republicanos tivessem alguma chance por lá, talvez mais eleitores tivessem se animado a votar em Trump.

Sua eleição também expôs os limites da mídia tradicional e as transformações que as redes sociais têm provocado na forma de se consumir informação. Trump derrotou Hillary apesar de os principais veículos de comunicação terem defendido abertamente a candidatura da adversária. Esse endosso foi enfraquecido pelo fato de as pessoas estarem se informando mais pelas redes sociais. Nessas plataformas, a tarefa de priorizar notícias é feita por algoritmos que dão preferência ao que o leitor tem mais chances de clicar. Ou seja, as pessoas são expostas principalmente a opiniões iguais às dela. Na chamada era da pós-verdade, boatos circulam livremente e a checagem de informações é um processo ultrapassado. Uma pesquisa do jornal The Washington Post, publicada uma semana antes da eleição, mostrou que 40% dos eleitores de Trump acreditavam que a taxa de desemprego no país era de 15% ou mais. O patamar verdadeiro é de 5%. ?Hillary começou a perder quando não reagiu eficientemente às coisas negativas que diziam sobre ela?, afirma Gloria Feldt. ?Trump a rotulou de criminosa e ela não o rebateu, porque pensou que a verdade falaria por si. Mas não falou.?

O novo presidente provavelmente vai frustrar os eleitores que acreditaram em promessas tão populistas quanto irrealizáveis. Trump, no entanto, terá a oportunidade de encerrar o Obamacare, um dos principais e mais controversos legados do atual presidente. Pela reforma promovida por Obama, todos os cidadãos são obrigados a ter um plano de saúde e os mais pobres são subsidiados pelo governo, já que não há um sistema público. Embora tenha garantido assistência para 22 milhões de pessoas, o programa é rejeitado por mais da metade da população. Na prática, prevalece a visão da classe média e das empresas, que se sentem sobrecarregadas pelos custos. Com a ajuda dos congressistas republicanos, que se opuseram fortemente à lei, Trump poderia ao menos cumprir a promessa de acabar com esse ?total desastre?, como costuma dizer ? não se sabe, no entanto, o que ele proporia no lugar. A incógnita Trump está apenas começando.

Fonte ISTOÉ

TRUMP e a era das incertezas

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Populismo de Trump e Lula

9 nov , 2016  

Donald Trump acena após votar nas eleição de terçca-feiraImage copyrightGETTY IMAGES
Image caption“Trump apelou para o interesse de um público, e não para um interesse público”, diz Troyjo

Em 2003, o ano em que iniciou seu primeiro mandato como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu publicamente que o Brasil voltasse a investir na indústria naval para produzir suas próprias plataformas e navios petroleiros. O episódio é usado pelo sociólogo Marcos Troyjo para abordar o que vê como um erro de interpretação na vitória de Donald Trump sobre Hillary Clinton na eleição presidencial dos EUA – a de que o resultado puniu a ‘esquerda americana’.

“Falar em derrotas dos ‘esquerdopatas’ é um bobagem”, disse em referência a busca por paralelos expressa nas mídias sociais entre a polarização no Brasil e nos Estados Unidos.

“O espectro político não é uma linha reta entre a esquerda e a direita. O populismo do Trump, no que diz respeito a voltar a criar empregos de manufatura para americanos, tem muito mais a ver com o Lula e a questão das plataformas, por exemplo. E será que alguém realmente considera Hillary uma candidata de esquerda?”, afirma Troyjo, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Professor da Universidade de Colúmbia (EUA), o brasileiro concorda com o argumento de que o sucesso de Trump se deva a seu posicionamento como alguém capaz de cativar a imaginação de americanos desiludidos com a política tradicional e empobrecidos pela globalização e suas crises, em especial a grande recessão de 2008. E que veem mudanças sociais profundas em seus país, como o crescimento da população hispânica e o questionamento de “valores tradicionais americanos”.

“É um movimento anti-globalização e que também está relacionado à perda de identidade cultural e que tem como reflexo essa rejeição a instituições como o establishment político norte-americano, que fez parte do discurso de campanha de Trump. Ou, no caso do Brexit, a rejeição dos britânicos à União Europeia. Passa por uma nostalgia, como a promessa de Trump de ‘tornar a América grande novamente’, como se as coisas pudessem voltar no tempo”, analisa o acadêmico.

João Dória, o prefeito eleito de São Paulo, posa para câmerasImage copyrightREUTERS
Image caption“Forasteiros” como Dória não seriam necessariamente algo problemático, na opinião do sociólogo

“Trump apelou para o interesse de um público, e não para o interesse público”.

Troyjo se refere especificamente a promessas de campanha do republicano que soaram como música para o eleitor branco da classe trabalhadora americana, o grupo demográfico responsável pelo grosso dos votos obtidos por Trump, e que foi estratégico para que o republicano roubasse votos de Clinton em estados que vinham votando nos democratas – em especial unidades federativas que sofreram com desindustrialização americana dos últimos anos, como a Pensilvânia.

De acordo com pesquisas de boca de urna, homens brancos e sem curso superior corresponderam a mais de um terço dos americanos que foram às urnas na terça-feira. Deles, 67% votaram em Trump e apenas 28% em Hillary. O republicano também teve sucesso entre mulheres brancas sem curso superior: 62%, contra 34% da democrata.

“O problema é que Trump não poderá adotar posições tresloucadas como a de recuperar empregos para trabalhadores americanos como se a China não existisse e os EUA não fossem o país com mais empresas multinacionais do mundo. Ele vai precisar de alguma moderação para lidar com o clima de incerteza criado por sua eleição”, acredita Troyjo.

Fábrica abandona na PensilvâniaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionTrump conseguiu roubar votos dos democratas em regiões afetadas pela desindustrialização, como o ‘Cinturão da Ferrugem’, na Pensilvânia

“Ainda mais quando a economia americana é baseada no consumo e o país é o maior destino de investimentos estrangeiros diretos do mundo”.

O apelo de Trump também faz parte do que analistas chamam de colapso no respeito aos políticos e a valorização de outsiders como o empresário americano. Algo refletido no Brasil pela eleição do também empresário João Dória para a prefeitura de São Paulo. Troyjo vê a possibilidade da vitória de Trump ter reflexos na corrida presidencial brasileira para 2018, e não crê que isso seria algo necessariamente negativo.

“Ter alguém que não venha da cultura política, como o Dória, não é algo ruim. O problema é quando aparece alguém defendendo coisas como o fechamento do Congresso”, finaliza.

 

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37922729

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