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bola de neve

SERÁ QUE PRECISAMOS DE CARTÃO DE CRÉDITO?

Posted by manoel on fevereiro 15, 2009
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Quando ele não existia, será que as pessoas eram infelizes? ninguém comprava nada? ninguém fazia negócio nenhum? alguém sofria, pelo fato dele não existir? Alguém que desejasse comprar uma roupa, um eletrodoméstico ou outra coisa qualquer, ficava sem o produto, só porque ele não existia?

Que tal a gente questionar um pouquinho sobre isto?

Encontrei-me com um amigo, que se manifestava muito feliz, quando eu lhe perguntei o motivo:

- “Ah, Alamar, hoje eu tive o prazer de poder dar o primeiro cartão de crédito para os meus filhos. O meu garoto tem 15 anos e a menina 14. Eles ficaram numa felicidade tão grande, disseram que me amam… enfim, tô muito feliz”.

Tive vontade de dizer para ele: “grandes coisas”, mas, devido a um pouco de experiência nessa coisa do comportamental humano, preferi ficar calado e nem quis, pelo menos naquele momento de tanta “alegria” dele, falar sobre o que vou escrever aqui.

É bom ter um público leitor racional, porque a gente, sem dificuldade nenhuma, pode convidá-lo a raciocinar sempre, em cima dos diversos assuntos abordados.

Raciocinemos, então, fazendo vários questionamentos:

Quando uma organização financeira se dispõe a lhe dar um cartão de crédito, ela está fazendo algum favor a você ou a ela mesma?

Quando um gerente de banco lhe pede reciprocidade e fidelidade ao banco, sob a argumentação de que vai liberar para você, as três bandeiras de cartões: Visa, Mastercard e American Express, com um “bom” limite, ele está sendo gentil ou está lhe passando um atestado de idiota?

Na sua opinião, ter cartões de crédito representa status? Sob os olhos de quem?

O fato de os outros acharem que você é uma pessoa importante, pelo fato de ter muitos cartões de crédito, representa algo de relevante para você?

Tenho a impressão de que o nosso nível de importância independe do que os outros acham, já que caracteriza-se, apenas e somente, pelos verdadeiros e autênticos valores que temos, independentemente dos olhos de quem quer que seja, não é verdade?

Pois bem. Analisemos um aspecto aqui:

Se eu tenho, em minha casa, uma caixa d’água que recebe, no máximo, 100 litros de água, em um dia, é possível eu conseguir retirar mais de 100 litros, nas torneiras, no dia?

Claro que não! É a lógica que afirma este NÃO, e não apenas a opinião pessoal do Alamar.

Se eu tenho um ganho mensal de apenas 2 mil reais, qual o milagre que farei para assumir compromissos de pagar 2 mil e quinhentos reais por mês?

Não adianta implorar para que a torneira tenha água, porque a caixa d’água não tem.

Só mesmo a onda do sindicalismo para querer que todas as empresas garantam os empregos e os salários dos funcionários, sem que elas tenham garantias de entrada nas suas caixas d’águas. Só milagre, mesmo.

Dividamos o nosso ganho mensal, no exemplo aqui na base de 2 mil reais, pelos compromissos que temos: aluguel (ou prestação da casa), conta de luz, telefone, condomínio ou conta de água, plano de saúde, colégio ou faculdade, transporte, supermercado e laser. Enquadremos tudo dentro destas necessidades fundamentais.

Todo mês eu tenho estas despesas e não posso, nunca, assumir compromissos acima de 2 mil reais.

Se eu opto por pagar o supermercado e o lazer, por exemplo, com cartão de crédito, qual a vantagem que eu levo?

Eu ganho o quê, com isto?

Suponhamos que destes meus 2000 reais, 400 reais é o que eu gasto com supermercados.

 

Agora raciocine: Queira ou não, este mês eu tenho que gastar 400 reais, que são os 400 deste mês e não os do mês seguinte, que já serão outros.

Quando utilizo o cartão de crédito para fazer a compra deste mês, porém deixando para pagar no mês seguinte, eu estou retirando do mês seguinte os 400 reais daquele mês, portando, ficando sem dinheiro para supermercado, naquele mês.

O que vai acontecer?

Vou entrar num círculo vicioso terrível e ter que, novamente, comprar por cartão de crédito, deixando sempre para pagar as minhas contas, deste mês, no mês que vem, no mês que vem, no mês que vem…

É exatamente isto que as operadores de cartões de crédito querem: Colocar a gente no vício, exatamente como os traficantes fazem com os adolescentes, para os introduzirem no vício escravizador e destruidor.

Agora veja no que elas apostam, porque têm certeza:

Que a grande maioria das pessoas vai cair no tal pagamento pelo mínimo, ou, invariavelmente, em alguns meses, atrasarão o pagamento da fatura, caindo,    automaticamente, na onda dos JUROS ALTOS que sempre se transformam em bolas de neves.

 É nisto que eles lucram e este é o maior interesse deles.

Portanto, ter cartão de crédito não é iniciativa inteligente para ninguém, é submeter-se a uma estratégia muito sem vergonha de grupos financeiros gananciosos, que trás a marca do “status”, apenas para enganar trouxas.

Ora bolas, se eu tenho 400 reais a pagar de supermercados, todos os meses, por que eu não faço um esforço para pagar os 400 deste mês, com o dinheiro que recebo este mês e não no mês que vem?

Não é muito mais interessante a gente utilizar o cartão de débito (este sim, vale a pena ser usado), em vez do de crédito?

A título de sugestão… sugestão, apenas… passo aos meus amigos a estratégia que eu montei, em relação ao meu filhinho, que também tem 14 anos.

Não vou querer que ele me veja com modelo financeiro, porque, eu também não tinha experiência nenhuma, fui otário, me deixei levar pelo que todo o mundo faz, acreditei na idiotice do “status”, entrei neste vício e me dei mal várias vezes.

Exatamente por ter pego todas estas porradas, pela experiência, é que quero estabelecer um modelo diferente para ele.

Primeiro: Que ele jamais dependa de cartão de crédito.

É preciso começar a ganhar o seu dinheirinho agora, mas com trabalho e não como esse modelo besta que muitos pais adotam, das chamadas mesadas fáceis, a troco de nada, apenas para esnobar a sua condição econômica. Ele tem que fazer alguma coisa, tem que ajudar em alguma coisa, para poder ganhar, já que o mundo não vai dar dinheiro de graça para ele, nunca. Se para ganhar, com trabalho, já não é fácil, imagine sem fazer nada.

Só que, tudo isto, com uma orientação diferente, que eu não tive e tenho quase certeza de que você também não teve:

Acostumar-se a não gastar 100% do que ganha.

Ele deve gastar apenas 60% e aplicar 40%, todos os meses.

- “Ah, Alamar, me desculpe, mas isto não existe! Quem é que vai conseguir gastar só 60% do que ganha? Quanto por cento do povo brasileiro tem condições de aplicar alguma coisa?”. É o que alguns amigos, certamente, dirão.

Eu concordo, eu não consigo e certamente você também não consegue. Mas isto porque nós nos acostumamos a gastar cem por cento, já que nunca tivemos educação financeira, posto que isto não é ensinado em escola nenhuma do Brasil e muito menos em casa, pelos nossos pais, que também não aprenderam.

Mas os nossos filhos não têm que ser exatamente iguais a gente, em tudo. Eles têm que herdar apenas os valores positivos, como os valores morais e as coisas boas que temos.

Se ele se acostuma, como criança entrando na adolescência, num determinado padrão de educação financeira, certamente vai entrar na fase adulta com aquela educação e não terá os problemas que muitos de nós tivemos.

Entre vários exemplos, é importante que os nossos filhos não cresçam com a obrigação de TER que dar presente à mãe no “Dias das mães”, porque esta prática não representa manifestação de carinho nenhum às nossas mães e sim apenas atender as conveniências do segmento lojista, e nada mais.

Quem ama a sua mãe, dá presente a ela em qualquer época do ano e não necessariamente no dia em que o mercado consumista impõe. Quem ama a sua mãe dá o melhor presente, que é o carinho, o afeto, a consideração, a companhia e não a faz de empregada doméstica, como muitos fazem.

Chantagista é a mãe que não percebe isto e fica cobrando dos filhos, alegando que eles não “lembraram” delas e que não dão valor a elas, num dia tão “importante”. Afinal de contas, importante pra quem?

O mesmo raciocínio se aplica aos presentes de natal, dia da criança, dia dos namorados, dia disto e dia daquilo. Pra quê?

Eu, por exemplo, não comprei absolutamente nada no mês de dezembro, quando tudo está mais caro, porque os lojistas sabem que o povo é besta e escravizado por uma cultura imposta, que impõe que em determinada época todo mundo tem que comprar, comprar, comprar e comprar. Mas procurei checar a média de preços dos produtos que eu pretendia, deixei para comprar em janeiro, quando tudo já estava em liquidação, e constatei que paguei menos de 40%, pelos mesmos produtos.

Por que eu tenho que comer bacalhau em minha casa, exatamente na chamada Semana Santa, se sei que neste período, este produto, que já é caro por natureza, fica muito mais caro? Que inteligência é a minha?

Que tal reunirmos a nossa família e propor:

Olha gente, o dia das mães em nossa família, será sempre comemorado em janeiro ou em agosto de cada ano, ok?

Pronto, compre um pó Cashmere Bouquet para sua mãe, nesse mês… (misericórdia, aí apelei demais. Será que ainda existe?)…, leve ela para almoçar ou jantar em um bom restaurante, que não estará tão caro, porque a procura não é tão grande, e pronto. Resolveu o problema, o carinho foi dado e a homenagem foi feita.

O grande problema é que a criatura humana adora ser submissa às conveniências dos outros, praticante do mesmismo e parece ter prazer em ser escrava do que os outros fazem e do que os outros pensam.

Ora, vá caçar o que fazer, mande essa figura chamada “os outros” para… e cultive a prática da independência total e absoluta.

Entendamos que essa figura, “os outros”, não nos ajuda em nada, não paga as nossas despesas, nunca estará ao nosso lado nos momentos difíceis, jamais moverá uma palha em nosso favor ou para livrar-nos de algum mal. Por que temos que ser tão submissos a ela?

Quem compra a vista leva SEMPRE mais vantagem, consegue descontos, livra-se de juros, de multas, de aborrecimentos e o dinheiro rende muito mais. Cartão de débito sempre, de “crédito” nunca.

 Para a sua apreciação.

 

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor

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