Home / Notícias Senado / Aprovação da PEC do Trabalho Escravo exige diálogo com setores envolvidos, diz ministra

Aprovação da PEC do Trabalho Escravo exige diálogo com setores envolvidos, diz ministra

A ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, afirmou nesta quinta-feira (3) que a aprovação da PEC do Trabalho Escravo depende do amplo diálogo com os diversos setores envolvidos. Ela participou de audiência pública com integrantes da Frente Parlamentar Mista e Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. A proposta de emenda à Constituição 438/01 prevê confisco de imóvel rural e urbano em que for comprovada a exploração de trabalho análogo ao de escravo.

A audiência pública encerrou a Segunda Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, que realizou eventos em diversas cidades.

Na avaliação de Maria do Rosário, é importante envolver produtores do setor primário no debate. Ela disse que o Brasil não pode alcançar altos índices de produtividade agropecuária com utilização de mão de obra escrava.

– Se o Brasil almeja estar entre as principais economias do mundo, com aumento do PIB, não deve ser com o sangue do trabalhador – disse a ministra.

Ela informou que 25 mil trabalhadores são admitidos por ano no setor primário. Maria do Rosário destacou que o problema é parte do ciclo de pobreza em que vivem as pessoas, alvo dos empregadores criminosos, que se aproveitam dessa condição para escravizar os trabalhadores.

O representante da organização não-governamental Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, explicou que o problema não é só verificado na Amazônia, mas em todos os estados brasileiros. E não apenas na zona rural, que conta com 80% dos casos, mas também nas cidades.

Ele informou que 40% das vítimas são analfabetos e as atividades que mais utilizam esse tipo de mão de obra são produção de carne bovina, de carvão, e de produtos agrícolas como cana-de-açúcar, algodão, soja, milho. Também a indústria de tecelagem e obras de usinas hidrelétricas adotariam a prática.

Sakamoto disse ainda que, entre 2003 e 2009, a maior parte (28%) dos resgatados pelo Ministério do Trabalho é proveniente do Maranhão. Em seguida, os estados que mais fornecem esse tipo de mão de obra são Pará, Bahia e Tocantins.

Lista suja

O representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Luiz Machado, destacou a necessidade de haver medidas que envolvam os diversos órgãos do governo, bem como o Congresso Nacional e a sociedade. Ele elogiou a criação da Lista Suja, por meio de portaria do Ministério do Trabalho, que cadastra os empregadores flagrados utilizando o trabalho escravo em suas atividades. Também considerou importante o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, por incluir toda a sociedade, que se nega a consumir produtos de empresas que adotam a prática criminosa.

O subprocurador do Trabalho Luís Antônio Camargo destacou que a escravidão atual é diferente da do século 19, conforme tese apresentada por Kevin Bales no livro “pessoas descartáveis”. Os fazendeiros que compravam africanos para escravizar, destacou, procuravam manter aquelas pessoas por considerarem como parte de seu patrimônio.

Para erradicar o trabalho escravo no país, avaliou, a PEC do Trabalho Escravo será um importante instrumento. Também defendeu melhor estruturação das instituições, especialmente da Auditoria fiscal do Trabalho e fiscalização móvel do Ministério do Trabalho e Emprego.

– Apenas 50% das denúncias são apuradas. Ainda há muitos trabalhadores aguardando ser resgatados – observou.
Iara Farias Borges / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

About A Casa

Notícias Relacionadas

Renan, sobre decisão de Marco Aurélio Mello: ‘Nenhuma democracia merece isso’

 O presidente do Senado, Renan Calheiros, criticou nesta terça-feira (6) a decisão do ministro Marco …

Deixe um comentário