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CHINESES QUEREM O NOSSO NIÓBIO (I)

Flo­resta pri­va­ti­zada em Rondô­nia esconde nióbio, o min­eral mais estratégico e raro no mundo.

Nióbio

Imagem Google

 

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Cat­e­go­ria: Pro­du­tos Estratégi­cos

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Matéria pro­duzida por Nel­son townes e pub­li­cada no por­tal www​.noti​ciaro​.com. (Postado em Porto Velho, Rondô­nia, em 6÷3÷2011, domingo, às 18h06 GMT –4)

Com o iní­cio da Era Espa­cial, aumen­tou muito o inter­esse pelo nióbio brasileiro, o mais leve dos metais  refratários. Ligas de nióbio, como Nb-​Ti, Nb-​Zr, Nb-​Ta-​Zr, foram desen­volvi­das para uti­liza­ção nas indús­trias espa­cial e nuclear.

Bem que o gov­er­nador de Rondô­nia, o médico Con­fú­cio Moura, ficou med­i­tando sobre o inter­esse da China por este Estado da Amazô­nia. As primeiras del­e­gações estrangeiras que ele rece­beu na Cap­i­tal, Porto Velho, após tomar posse como novo gov­er­nador foram de chi­ne­ses. Primeiro veio um grupo de empresários , logo segui­dos pela visita do próprio embaix­ador da China no Brasil, Qiuiu Xiaoqi e da embaix­a­triz Liu Min.

Os chi­ne­ses não defini­ram, nas palavras do gov­er­nador, o que lhes inter­essa em Rondô­nia. Mas, é pos­sível que a palavra “nióbio” tenha sido pro­nun­ci­ada durante as con­ver­sações.

Con­fú­cio Moura comen­taria após as vis­i­tas par­tirem que “algo de sin­tomático paira no ar” e fez uma visita à Com­pan­hia de Pesquisas de Recur­sos Min­erais em Rondô­nia (CPRM) para saber de suas ativi­dades no Estado.

Ofi­cial­mente, o gov­er­nador nunca se referiu ao nióbio como um dos temas das con­ver­sas com os chi­ne­ses. Mas, o súbito inter­esse do médico gov­er­nador por geolo­gia gerou comen­tários.

Seria ingenuidade descar­tar o nióbio dos motivos que levariam os chi­ne­ses a via­jar do outro lado do plan­eta para Rondô­nia. Este é um dos Esta­dos da Amazô­nia que tem esse minério estratégico de largo uso em engen­haria civil e mil­i­tar de alta tec­nolo­gia. A China não tem nióbio e importa do Brasil 100 por cento do que usa.

O prob­lema é que as jazi­das atual­mente con­heci­das em Rondô­nia estão local­izadas na Flo­resta Nacional (Flona) do Jamari, por onde o gov­erno petista de Lula começou a “vender” a Amazô­nia para par­tic­u­lares (são con­cessões com prazo de 60 anos.)

O então pres­i­dente dos Esta­dos Unidos, George Bush, fez uma visita ao Brasil e abraçou o pres­i­dente Lula quando o Brasil decidiu leiloar a Amazô­nia.

Os par­tic­u­lares vence­dores do leilão da flo­resta, his­tori­ca­mente, acabam se con­sor­ciando a estrangeiros, e riquezas da bio e geo­di­ver­si­dades de Rondô­nia poderão con­tin­uar a migrar para o Exte­rior, restando migal­has para o povo ron­doniense.

Ninguém está duvi­dando da boa intenção dos empresários chi­ne­ses e, se de fato é o nióbio que atrai sua atenção para Rondô­nia, o Estado pode estar nas vésperas de realizar uma parce­ria com­er­cial e reverter uma história de empo­brec­i­mento cau­sada pela má admin­is­tração de suas riquezas nat­u­rais.

O nióbio, hoje, rep­re­senta o que foi a bor­racha há um século para o desen­volvi­mento indus­trial das potên­cias mundi­ais da época. O Brasil, que tem o monopólio mundial da pro­dução desse minério estratégico e vive um Ciclo do Nióbio, está, no entanto, repetindo erros ocor­ri­dos durante o Ciclo da Bor­racha na Amazô­nia entre os sécu­los 19 e 20.

Por exem­plo, emb­ora seja o maior pro­du­tor do mundo, o Brasil deixa que o preço do minério seja ditado pelos estrangeiros que o com­pram (como acon­te­cia no Ciclo da Bor­racha.)

O nióbio (Nb) é ele­mento metálico de mais baixa con­cen­tração na crosta ter­restre, pois aparece ape­nas na pro­porção de 24 partes por mil­hão.

Quase anôn­imo, entrou na lista dos „novos metais nobres” por suas mul­ti­pli­cas util­i­dades nas recentes “tec­nolo­gias de ponta”. Prati­ca­mente só existe no Brasil (que tem entre 96 a 97 por cento das jazi­das.

O nióbio é usado prin­ci­pal­mente para a fab­ri­cação de ligas ferro-​nióbio, de ele­va­dos índices de elas­ti­ci­dade e alta resistên­cia a choques, usadas na con­strução pontes, dutos, loco­mo­ti­vas, turbinas para aviões etc.

Por ter pro­priedades refratárias e resi­s­tir à cor­rosão, o nióbio é tam­bém usado para a fab­ri­cação de superli­gas, à base de níquel (Ni ) e, ou de cobalto (Co), para a indús­tria aeroe­s­pa­cial (turbinas a gás, canal­iza­ções etc.), e con­strução de reatores nucleares e respec­tivos apar­el­hos de troca de calor.

Na década de 1950, com o iní­cio da cor­rida espa­cial, aumen­tou muito o inter­esse pelo nióbio, o mais leve dos metaisa refratários. Ligas de nióbio, como Nb-​Ti, Nb-​Zr, Nb-​Ta-​Zr, foram desen­volvi­das para uti­liza­ção nas indús­trias espa­cial e nuclear, e tam­bém para fins rela­ciona­dos à super­con­du­tivi­dade. Os tomó­grafos de ressonân­cia mag­nética para diag­nós­tico por imagem, uti­lizam mag­ne­tos super­con­du­tores feitos com a liga NbTi.

Com o nióbio são feitas desde ligas supra­con­du­toras de elet­ri­ci­dade a lentes óti­cas. Tudo o que os chi­ne­ses estão fazendo, desenvolvendo-​se como potên­cia tec­nológ­ica, indus­trial e econômica.

“O nióbio otimiza o uso do aço na indús­tria de avi­ação, petrolífera e auto­mo­bilís­tica”, explica a jor­nal­ista Danielle Nogueira, em artigo no site Infoglobo.

Em países desen­volvi­dos, são usa­dos de oitenta gra­mas a cem gra­mas de nióbio por tonelada de aço. “Isso deixa o carro mais leve e econômico”. Na China, são usadas ape­nas 25 gra­mas em média de nióbio por tonelada.

Anal­is­tas dizem que no mer­cado asiático estão as chances de expan­são das expor­tações – e uti­liza­ção do minério. O Japão tam­bém importa 100 por cento do nióbio do Brasil. No Oci­dente, os Esta­dos Unidos impor­tam 80 por cento e a Comu­nidade Econômica Europeia, 100.

O dire­tor de assun­tos min­erários do Insti­tuto Brasileiro de Min­er­ação (Ibram), Marcelo Ribeiro Tunes, citado por Danielle Nogueira, disse que “boa parte do poten­cial de expan­são de nos­sas expor­tações de nióbio está na China.”

“Em 2010, a receita com ven­das exter­nas de nióbio foi de US$ 1,5 bil­hão. Foi o ter­ceiro item da pauta de expor­tações min­erais, atrás de minério de ferro e ouro. As duas empre­sas que atuam no setor no Brasil são a Com­pan­hia Brasileira de Met­alur­gia e Min­er­ação, do grupo Mor­eira Sales e dona da mina de Araxá (MG), e a Anglo Amer­i­can, pro­pri­etária da mina de Catalão (GO.)”

É provável, por­tanto, que o prin­ci­pal inter­esse dos chi­ne­ses por Rondô­nia seja exata­mente o nióbio escon­dido no sub solo do Estado, em números ainda não bem con­heci­dos, espe­cial­mente em ter­ras que podem ser com­pradas ainda que indi­re­ta­mente por estrangeiros.

Até o momento, segundo o Mapa Geológico de Rondô­nia feito pelo CPRM, foram descober­tas jazi­das desse minério na região da Flo­resta Nacional (Flona) do Jamari.

A área tem mais de 220 mil hectares de exten­são, local­izada a 110 km de Porto Velho, atinge os municí­pios de Ita­puã do Oeste, Cuju­bim e Can­deias do Jamari. Além da enorme quan­ti­dade de madeira e água, o sub­solo da flo­resta a ser leiloada é rico, além de nióbio, de estanho, ouro, topázio e out­ros min­erais.

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