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CHINESES QUEREM O NOSSO NIÓBIO (II)

As jazi­das de Araxá (MG) e Catalão (GO) eram con­sid­er­adas as maiores do mundo até serem descober­tas as da Amazô­nia

Nióbio

Imagem Google

http://www.inest.uff.br

 

Cat­e­go­ria: Pro­du­tos Estratégi­cos.

Matéria pro­duzida por Nel­son townes e pub­li­cada no por­tal www​.noti​ciaro​.com. (Postado em Porto Velho, Rondô­nia,
As jazi­das de Rondô­nia são as menores da Amazô­nia, mas há ainda muito a ser inves­ti­gado. Na região do Morro dos Seis Lagos, municí­pio de São Gabriel da Cachoeira (AM), encontrou-​se o maior depósito de nióbio do mundo, que suplanta em quan­ti­dade de minério, as jazi­das de Araxá (MG) e Catalão (GO), antes deten­toras de 86% das reser­vas mundi­ais.

Por que os chi­ne­ses desem­bar­caram em Rondô­nia – se um de seus supos­tos inter­esses, o mais óbvio, seriam negó­cios com nióbio, emb­ora exis­tam pou­cas jazi­das aqui? Porque o minério estratégico está na Flo­resta Nacional do Jamari, que o gov­erno petista de Lula escol­heu, em 2006, através da então min­is­tra do Meio Ambi­ente, Marina Silva.para ini­ciar a pri­va­ti­za­ção da flo­resta.

Não seria sur­presa se os chi­ne­ses resolvessem, de alguma forma, em par­tic­i­par do leilão da Flona do Jamari. Em out­ras áreas, como em Roraima, onde se supõe exi­s­tir uma reserva de nióbio maior do que todas as con­heci­das no país, é mais difí­cil extrair o minério porque ele está, em princí­pio, preser­vado e inalienável por per­tencer ao ter­ritório indí­gena da Raposa do Sol. A venda de flo­restas em Rondô­nia abre cam­inho para a explo­ração de sua bio­geo­di­ver­si­dade por estrangeiros.

O plano do gov­erno fed­eral é dividir a Flona do Jamari em três grandes áreas (17 mil, 33 mil e 46 mil hectares) e usá-​la como mod­elo, conce­dendo o dire­ito de explo­ração à grandes empre­sas com o dis­curso de que preser­variam mel­hor o meio ambi­ente.

Das oito empre­sas que se inscreveram para entrar na dis­puta, não há nen­huma das peque­nas e médias madeireiras que já atuam na região há vários anos.

A pri­va­ti­za­ção da flo­resta tem sofrido embar­gos judi­ci­ais. E o senador Pedro Simon (PMDB/​RS) declarou na época que a pro­posta que trata a con­cessão de flo­restas públi­cas, trans­for­mada na Lei 11.284 em março de 2006, „foi no mín­imo, uma das mais dis­cutíveis que já tran­si­taram no Con­gresso Nacional, além de ter sido aprovada sem o necessário apro­fun­da­mento do debate.„

O inter­esse das potên­cias estrangeiras pelas riquezas nat­u­rais brasileiras é antigo. Os brasileiros prestaram mais atenção ao nióbio em 2010, quando o site Wik­ileaks disse que o gov­erno amer­i­cano incluiu as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO) no mapa de áreas estratég­i­cas para os EUA. O mapa cer­ta­mente inclui agora as grandes jazi­das dos Esta­dos do Ama­zonas e Roraima e o pouco con­hecido poten­cial de Rondô­nia.

Fre­quente­mente a CPRM e o Depar­ta­mento Nacional de Pro­dução Min­eral (DNPM) são acu­sa­dos de sub avaliar o tamanho das jazi­das, das reser­vas.

Ainda assim, considerando-​se vál­i­das as esti­ma­ti­vas da CPRM, o Brasil seria o dono de um superde­pósito de nióbio, com 2,9 bil­hões de toneladas de minérios, a 2,81% de óxido de nióbio, o que rep­re­sen­taria 81,4mil­hões de toneladas de óxido de nióbio con­tido, nada menos do que 14 vezes as atu­ais reser­vas exis­tentes no plan­eta Terra, incluindo aque­las já con­heci­das no sub­solo do país.

Os minérios de nióbio acu­mu­la­dos no „Car­bon­atito dos Seis Lagos” (AM), soma­dos às reser­vas medi­das e indi­cadas de Goiás, Minas Gerais e do próprio estado do Ama­zonas, pas­sariam a rep­re­sen­tar 99,4% das reser­vas mundi­ais.

O nióbio, por­tanto, é um minério essen­cial­mente nacional, essen­cial­mente brasileiro, mas quem fixa os preços é a „Lon­don Metal Exchange — LME”, de Lon­dres.

O contra-​almirante refor­mado Roberto Gama e Silva, sug­eriu, na condição de pres­i­dente do Par­tido Nacional­ista Democrático (PND), a cri­ação pelo gov­erno do Brasil da Orga­ni­za­ção dos Pro­du­tores e Expor­ta­dores de Nióbio (OPEN), nos moldes da Orga­ni­za­ção dos Pro­du­tores de Petróleo (OPEP), a fim de reti­rar da „Lon­don Metal Exchange (LME) o poder de deter­mi­nar os preços de com­er­cial­iza­ção de todos os pro­du­tos que con­tenham o nióbio.

A LME fixa, para expor­tação, preços mais baixos do que os cobra­dos nas jazi­das.

“Evi­dente que as posições do Brasil, no novo organ­ismo, seriam preenchi­das com agentes gov­er­na­men­tais que, não só batal­hariam para ele­var os preços dos pro­du­tos que con­tém o nióbio, mas, ainda, fixariam as quo­tas desses mate­ri­ais des­ti­nadas à expor­tação” – diz Silva.

De qual­quer forma, em 2010, a receita com ven­das exter­nas de nióbio foi de US$ 1,5 bil­hão. Foi o ter­ceiro item da pauta de expor­tações min­erais, atrás de minério de ferro e ouro.

Num encon­tro com jor­nal­is­tas, real­izado em 7 de fevereiro, o min­istro de Minas e Ener­gia, Edi­son Lobão, disse que um novo marco reg­u­latório da min­er­ação no Brasil será encam­in­hado ao Con­gresso ainda no primeiro semes­tre deste ano.

Lobão disse que serão encam­in­hados três pro­je­tos inde­pen­dentes: um que trata das regras de explo­ração do minério, outro que cria a agên­cia reg­u­ladora do setor e um ter­ceiro que trata exclu­si­va­mente dos roy­al­ties.

Segundo Lobão, o Brasil tem hoje um dos menores roy­al­ties do mundo. “Nós cobramos no Brasil talvez o roy­alty mais baixo do mundo. A Aus­trália e países da África chegam a cobrar 10% e o Brasil ape­nas 2% „

 

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