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Disparada dos preços no país engole conquistas da classe C

A aumento da inflação da capital mineira está tirando conquistas da nova classe média no que se refere ao consumo. “Com o aumento dos preços, a primeira coisa que a gente faz é cortar. É um iogurte, um doce, uma fruta, que a gente não tem mais como levar”, diz a artesã Vanda Silva Ferreira, 62. A repositora Leila de Palma Santos, 21, lamenta ter que abrir mão de produtos de higiene pessoal e cosméticos para priorizar a alimentação. “A gente corta o supérfluo com essa inflação. Eu cortei também os produtos que eram para mim, para o meu bem-estar”, diz.

A percepção dos consumidores está de acordo com a pesquisa da inflação em Belo Horizonte divulgada nesta quinta pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG), que mostrou que entre janeiro e fevereiro o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,57%. No acumulado de 12 meses a inflação na cidade chega a 7,89%, e em 2015, os preços já subiram 2,82%. Entre os itens que compõem o IPCA destacam-se as altas de 4,92% dos preços no item alimentos in natura; de 2,34% para transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis, água e IPTU; e de 1,55% em alimentos industrializados.

A alta dos preços dos alimentos já é percebida nos sacolões. A dona de casa Vani dos Santos, 53, afirma que “agora temos que pesquisar mais onde comprar porque comida é a última coisa que a gente corta. Mas tento levar o produto que está mas em conta”, explica.

Segundo o gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Nunes, o aumento no preço dos alimentos foi o principal motivo para que a inflação para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, calculado pelo Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR), ficasse 0,19% acima do IPCA, chegando a 0,76% em fevereiro. “Com certeza foi o alimento que causou essa diferença. Isso porque a alimentação tem um peso maior no IPCR, acima de 20%. No caso do IPCA, este peso fica em torno de 16%”, explica ele.

Além do alimento, Nunes destaca o peso dos produtos administrados (transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis e IPTU) no índice. “São custos que impactam na produção, na distribuição de produtos, isso acaba gerando inflação”, avalia o gerente.

A expectativa para o mês de março, segundo Eduardo Nunes não é otimista. “Os reajustes extraordinários na energia elétrica, com as bandeiras tarifárias, e a possibilidade de multa para consumo de água que está sendo estudado pelo governo, devem impactar no índice no próximo mês”, conclui.

Na cesta básica, tomate, feijão e óleo de soja subiram mais

Os produtos que mais subiram de preço da cesta básica em Belo Horizonte, no mês de fevereiro, foram tomate santa cruz (27,45%), feijão carioquinha (14,51%), óleo de soja (3,08%) e café moído (2,29%). Os dados são da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG).

A cesta básica apresentou uma variação positiva de 2,78%, entre janeiro e fevereiro de 2015, segundo a mesma pesquisa. O valor da cesta em fevereiro foi de R$ 345,30 e já representa 43,82% do salário mínimo.

Confiança cai. Com esse quadro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) no período apresentou baixa de 2,88% em relação a janeiro, chegando a 40,55 pontos. É o 26° mês consecutivo que o índice está abaixo da linha que separa o pessimismo e o otimismo dos consumidores, que é o índice 50.

Desconfiança
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio renovou o piso histórico em fevereiro. Recuou 2,5%, na comparação com janeiro. Aos 100,6 pontos, está muito próximo da zona negativa, que é abaixo de 100 pontos. Quatro em cada cinco empresários do setor consideraram que a economia piorou. E os do comércio devem investir menos.

Lojas vazias
O movimento dos consumidores nas lojas em fevereiro recuou 1% em relação a janeiro, apontou a Serasa Experian. A série de aumentos em itens importantes como combustíveis, transportes, mensalidades escolares, a queda na confiança das famílias e as altas do juro e do dólar impactaram negativamente.

Inflação em Belo Horizonte

Valores do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês passado e acumulado

Fevereiro: 0,57%

Alimentação

12 meses: 7,89% 2015: 2,82%

Fevereiro: 0,88%

12 meses: 2,07%

Produtos não alimentares

2015: 2,07%

Fevereiro: 0,52%

12 meses: 7,98%

2015: 2,96%

http://www.otempo.com.br/capa/economia/disparada-dos-pre%C3%A7os-no-pa%C3%ADs-engole-conquistas-da-classe-c-1.1004421

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